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TENHO
A SÍNDROME DO PÂNICO,
MAS ELA NÃO ME TEM!
TRANSTORNO DO PÂNICO
É A NOVA
DENOMINAÇÃO DA SÍNDROME DO PÂNICO
OU DISTÚRBIO DO PÂNICO POR DETERMINAÇÃO
DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE
BRASIL - INICIADO EM 20/09/99
- ATUALIZADO EM 27/06/2008
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Ministério da Cultura - Fundação Biblioteca Nacional - Nº 198.827 Livro 342/486 Copyright 2005 - Todos os
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Fernando Mineiro -
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O nome Pânico foi adaptado do grego
Panikon e derivado do deus Pã,
figura mitológica Grega, Filho do deus Zeus e da ninfa Calisto
ou de Hermes e da ninfa Dríope, de acordo com alguns
autores. Este ser habitava os bosques
junto às fontes, mas tendo predileção
pela Arcádia, local em que nasceu. Era um ser horrendo; da cintura para baixo
como um bode peludo e da cintura para cima como homem, porém com chifres. Era
uma divindade travessa e galanteadora, mas sempre rejeitado por sua feiúra.
Portava sempre uma flauta feita de caniços do brejo. Infundia terror entre
os camponeses e pastores com a sua aparição repentina,
de onde surgiu a denominação
Pânico, o terror repentino.
Protetor dos pastores e
camponeses, Pã teve um templo erguido na
cidade de Atenas, ao lado de uma praça do mercado denominada Ágora. Neste local se reuniam um grande número
de pessoas, daí se originando a palavra Agorafobia: - termo que enquadra as pessoas portadoras do
TP, as quais sentem medo de ter uma nova crise nos mesmos locais de uma
anterior ou em locais de grande concentração de pessoas. Isso faz com que elas
evitem esses locais ou deixem de sair de casa.
O MEDO ALIMENTA O MEDO
Fernando Mineiro
Tenho 56 anos, dois filhos, sou casado há 33 anos com a Rúbia,
minha eterna namorada. Sou fundador e coordenador do GruPan - Grupo de Apoio aos Portadores do
Transtorno do Pânico de Belo Horizonte - MG. Quando o tempo me permite,
dedico-me à Astronomia como astrônomo amador. Sou autor do livro que leva o
mesmo título dessa página, porém mais abrangente. Sou portador do TP há 42 anos, 7 sem crises e
sem medicamentos e sem fobias. Consegui eliminá-los, graças
aos exercícios de relaxamento, de respiração e de exposição que sempre faço.
Esses exercícios constam em meu livro. Levo uma vida normal, porém consciente de
que terei de conviver com alguns sintomas isolados (que de vez em quando me atingem) até que
descubram a cura do TP. Guardo na memória as tão sofridas crises que enfrentei,
o que me dá incentivos para continuar a
pesquisar.
Dedico esta Home
Page à minha esposa Rúbia,
pois sem o seu
apoio incondicional, nada disso seria possível.
MINHA EXPERIÊNCIA COM O TRANSTORNO DO PÂNICO
Eu tinha 14 anos e
trabalhava no setor de administração de um Banco, durante 6 horas
diárias. O ambiente era agradável, nada estressante. Eu estava tranqüilo e executava a minha
tarefa, como o fazia todos os dias.
Alguns minutos após o início do expediente, sem nenhum motivo
aparente, meu coração disparou. Uma onda de calafrios percorreu todo o meu
corpo. Comecei a suar frio e a ter uma sensação de que ia desfalecer. Meu peito
doía, sugerindo que eu estivesse tendo
um ataque cardíaco. Em seguida, veio a falta de ar;
parecia que algo estava fechando a minha garganta. Faltava-me o chão,
parecia-me que o meu fim chegara.
Tudo isso aconteceu na frente de meus colegas de trabalho, os quais
atônitos, ficaram sem saber o que fazer. Achavam que eu estava tendo um ataque
do coração. Levaram-me imediatamente ao setor médico do Banco, mas, quando lá
cheguei, tudo havia passado; não havia nenhum vestígio do quadro horripilante.
Nem o médico sabia o que me acontecera.
O episódio voltou a acontecer várias vezes e em locais diferentes.
A minha peregrinação aos consultórios médicos havia começado. Realizei todo
tipo de exames possíveis, pois os sintomas eram precursores de várias doenças.
Estava com a saúde perfeita, nada que justificasse todos aqueles sintomas. O
médico diagnosticou estresse sem causa aparente, eu teria de continuar na minha
peregrinação para saber o que estava causando aquele estresse. Pediu-me para
não me preocupar com os sintomas. Caso o fizesse, iria
aumentá-los. Recomendou-me que procurasse me distrair, praticar esportes e que
não desse muita importância ao fato.
A peregrinação continuava e os diagnósticos se modificavam. Um
diagnóstico de disritmia me levou ao consumo de remédios fortes, por vários
meses. Um dia, joguei todo o vidro pela janela. Fiz novo eletroencefalograma
e deu em nada, eu nunca havia tido disritmia. A partir daí, a situação piorou;
achavam que talvez fosse problema mental. Dessa data em diante, abandonei a
minha peregrinação aos consultórios e assumi a minha situação de portador de
"não sei de que".
Convivi com esse sofrimento,
que evoluiu até aos 18 anos.
Achava que, talvez, com o passar dos anos, já tivessem uma tecnologia para
saber o que eu tinha. Fui a um cardiologista de renome e, após vários
exames, outro diagnóstico: extra-sístole ventricular, provocada por uma possível comunicação
dentro do coração, que normalmente existe na vida intra-uterina. Não sendo corrigido, acarretaria danos
irreversíveis. Após vários exames, veio a solução: cirurgia.
A data para a intervenção cirúrgica já estava marcada. Com meu
peito aberto, eles fechariam essa comunicação.
Havia, porém, 5% de chances do diagnóstico estar errado; eu deveria fazer o cateterismo. Tinha que decidir se faria ou
não este exame, pois era de grande risco e sua tecnologia era recente. Hoje em dia é um exame corriqueiro.
Introduzem um tubo fino (cateter) através de uma veia do braço até o interior
do coração, para coleta de amostras de sangue. Se houvesse mistura de sangue
venoso com arterial, a comunicação
existiria. Decidi pelos 5% de chances. Houve, porém, uma complicação:
o cateter que hoje é descartável,
naquela época era reutilizável, o que resultou em contaminação. Meu organismo
entrou em choque e por pouco estaria deixando de dar este testemunho.
O resultado foi patético, eu não tinha nada no coração e correra um
risco de vida em vão. Não sabiam o motivo das extra-sístoles, da taquicardia e
dos vários sintomas que me ocorriam. O
jeito foi continuar convivendo com a "coisa".
Aos 22 anos, casei-me e tive a felicidade de fazê-lo com um anjo, a
Rúbia. Foi o que de bom acontecera comigo desde então. Já não estava sozinho,
tinha uma pessoa que me entendia, sabia o que eu sentia e me apoiava - é o de
que mais precisamos.
Somente em 1992, já com 46
anos, surgia uma luz no fim do túnel... e não era uma locomotiva em sentido
contrário. Lendo o jornal pela manhã, deparei-me com uma manchete que me chamou
a atenção: Síndrome do Pânico, o pavor
repentino. Relacionavam dez sintomas e
se a pessoa tivesse pelo menos
quatro deles, e com alguma freqüência,
seria um candidato a portador da
Síndrome. Fui lendo, um a um. Praticamente todos aqueles sintomas eu já havia
sentido, não todos juntos, mas sempre
com variações, em grupos. Senti alegria ao me ver enquadrado
naquele quadro horripilante.
Provavelmente, a minha peregrinação estaria terminada. Enfim, eu iria saber o que realmente tinha, ou, na pior das
hipóteses, saberia contra quem lutar.
Uma clínica de Psiquiatria estava selecionando voluntários para teste de um medicamento
novo. Não pensei duas vezes, liguei e marquei uma
entrevista. Depois de vários questionamentos, fui enquadrado como
possível portador, mas havia necessidade
de exames complementares para se ter uma certeza. Fui encaminhado a um
Cardiologista e fiz um Check-up completo.
Foi constatado que eu estava
gozando de perfeita saúde. Confirmado,
eu era um portador clássico da Síndrome do Pânico. Foi como um atestado de sinceridade que eu
queria passar para todos aqueles, que, de alguma forma, duvidaram de mim.
Realmente eu tinha algo, não estava ficando louco.
Após ler um longo documento que eximia a clínica e o laboratório de
riscos com o teste do medicamento, assinei um termo de responsabilidade para
ser voluntário. A pesquisa era "duplo cego", nem eu nem a clínica
sabíamos do teor do medicamento, da quantidade do sal e se era ou não placebo.
A pesquisa era de uma multinacional Suíça e o medicamento um antidepressivo
inibidor da Monoaminaoxidase, de 2ª geração.
A pesquisa teve uma duração de oito meses. Durante esse período,
meus exames de sangue e urina eram remetidos
diretamente para a Suíça, sem que eu conhecesse os resultados. Esses exames
mediam o teor dos neurotransmissores e da substância em teste em meu organismo.
Não obtive nenhum resultado com o medicamento, mas havia outras pessoas que
reagiram positivamente, o que me levou a crer que, no meu caso, o
medicamento era um placebo. Fui muito bem tratado pela clínica e tive um
acompanhamento psiquiátrico de primeira.
Durante o período da pesquisa, como eu estava tomando placebo, as
crises continuavam, só que agora eu sabia o que tinha e o que era, Síndrome do
Pânico, hoje Transtorno do Pânico. Nesses oito meses, minhas crises chegaram ao
máximo e eu não podia mudar de medicamento.
Naquela época, transfigurado com as crises, deprimido e cansado, fiz o acróstico abaixo:
PENSEI CORRER, FUGIR E GRITAR.
ÂNSIA
POR ALGUÉM A ME ABRIGAR.
NINGUÉM ESTOU
SÓ, MAS VOU RESISTIR!
IMERSO EM SUOR ME SINTO
PARTIR.
CANSADO, EXAUSTO MEU CORPO IMPLORA...
OH!
CRISE FÓBICA ME DEIXE AGORA!
Desligado da pesquisa, mas ainda com o acompanhamento da clínica,
tentei utilizar o medicamento testado, já que desconfiávamos que eu utilizara
um placebo. Não me dei bem com ele, sentia uns lampejos na cabeça. Mudei para
outros antidepressivos, porém, cada um
apresentava um efeito desagradável. Um era antiorgástico, outro dava alteração
da libido. Tentei vários medicamentos por orientação de minha Psiquiatra na
tentativa de encontrar um com que me desse bem. É importante frisar que um
medicamento pode ser muito bom para uma pessoa e ser desastroso para outra. Os
sintomas também podem variar para cada indivíduo e geralmente diminuem após algum tempo de uso.
No meu caso, não estava me adaptando a nenhum deles.
Permaneci algum tempo com
uma variação similar de um antidepressivo, o que reduziu bastante o preço do
produto em relação à marca de referência. Minhas crises desapareceram, em seu
lugar só ficaram alguns sintomas, um pouco desagradáveis, mas muito aquém
daquelas horríveis crises. Li em reportagens de jornais e revistas que
esse medicamento era também utilizado
para quem queria emagrecer e que vários médicos, mesmo de outras especialidades
a estavam receitando para esse fim. Eu estava emagrecendo muito, por isso
desisti também desse medicamento.
O último medicamento que tomei por alguns meses, e a
que mais me adaptei, foi um ansiolítico. Ressalto que todos os medicamentos
eram receitados pela minha Psiquiatra, pois até hoje acredito que não devemos
nos automedicar.
Paralelamente ao acompanhamento psiquiátrico, continuei com minhas
pesquisas sobre o TP e sobre os medicamentos. Na ânsia de querer conhecer o máximo possível sobre o
TP, passei a pesquisar em livros médicos, assistir a
entrevistas, palestras e a conversar com
vários psiquiatras sobre o assunto. Formei uma fonte de consulta em vídeos,
fitas, recortes de jornais e livros de
autores portadores da TP. Cheguei à conclusão de que, apesar dos horríveis e
indescritíveis sintomas, desse mal eu não morreria; pois em toda minha pesquisa não encontrara nenhum
óbito motivado diretamente pelo TP.
Eu sabia que tinha que
enfrentar a situação - me recolher em
casa de nada adiantaria, eu tinha que enfrentar as crises. Lembrei-me de que
quando tive minha primeira crise aos 14 anos, o médico havia diagnosticado
estresse e aconselhou-me que eu procurasse me distrair, passear e que não
ficasse em casa curtindo o mal estar. Talvez, sem saber, o médico havia me
passado o que hoje conhecemos como exercício de exposição. O certo é que desde
os 14 anos não desenvolvi nenhuma fobia e nunca as crises me seguraram em casa.
Passei a levar minha vida com normalidade, sem necessitar de levar nenhum acompanhante em minhas atividades. Quando estava dirigindo
o carro e a crise surgia, eu estacionava, fazia um relaxamento e esperava a
"coisa" horrível passar. É horrível, mas sabendo que não se vai morrer daquilo, eu não alimentava a crise
e dava para agüentar.
Apesar de saber que o ansiolítico que eu estava tomando poderia
resultar em dependência a longo prazo, não conseguia
me livrar dele. Graças a um episódio
curioso que me aconteceu, consegui também me livrar desse último medicamento.
Estava de férias em uma
cidade praiana, totalmente relaxado e sem nenhum
compromisso. Ainda tomava o ansiolítico, pois ele era a minha tábua de
salvação. Passeava com minha esposa pela praia, sentindo aquela gostosa brisa
que vinha do mar e aquele afundar macio
de meus pés na areia. De repente, um mal estar, uma dor no peito e a
taquicardia. O TP se apossou de mim, tive uma tremenda crise.
Rapidamente fomos ao pronto socorro local, que por sorte ficava
perto dali. Fui atendido pelo médico de plantão. Narrei o que me sucedera. O
médico pediu-me que eu me deitasse,
diminuiu a intensidade da luz e colocou
uma música suave. Dizia ter poderes paranormais
e de vez em quando pronunciava palavras
que eu não entendia. Dizia que era muito requisitado no hospital e que consertava
os aparelhos de eletrocardiograma com um simples passar de mãos sobre eles.
Pensei em me levantar e sair rápido dali, porém me contive; estava muito mal. O
médico continuou pronunciando as tais palavras, só que agora invocava a
presença do sobrenatural.
Sou astrônomo amador. Sei que tudo é possível e que mesmo o
inexplicável tem razão de ser, mesmo que não o entendamos, pois a explicação poderia estar aquém de
nossa compreensão. Lido com ciências, mas respeito a liberdade de
religião, de pensamento e a forma pela qual cada um encara e aceita a vida.
O Médico pediu-me que fechasse os olhos, que inspirasse o ar
pausadamente e expirasse bem devagar, que fizesse isso dez vezes. Deveria
relaxar todo o meu corpo, começando pelos pés, pernas, abdome, tórax, rosto e
assim por diante, mas que fosse passo a passo, sentindo cada parte do corpo
relaxando. Quando totalmente relaxado, pediu-me para imaginar-me em um
local bem tranqüilo: praia, bosque,
montanha, campo ou em um lugar em que eu
gostaria de estar.
Realmente me relaxei, cheguei até quase adormecer. Algum tempo depois eu não sentia
nem vestígios da crise. Finalizado a consulta, lembrei-me de já ter lido sobre
algo assim. Agradeci ao Médico pelo que fez por mim. Pediu-me que voltasse outro
dia para repetir o relaxamento, achei
melhor não fazê-lo.
Regressando à minha cidade, procurei pesquisar sobre o que me
acontecera. Consultando alguns livros em que já lera sobre o assunto, tirando a
parte paranormal do episódio, concluí que eu havia
feito um relaxamento autógeno, muito empregado para o tratamento do TP. Tenho
utilizado essa técnica assim que percebo que a crise está para surgir, ou
simplesmente para me relaxar.
Hoje consigo conviver com o
TP sem os medicamentos e sem desenvolver nenhuma fobia, digo conviver, porque
sei que ele ainda não tem cura, o que se
consegue é o controle das crises e das fobias. Não faço segredo de como
consegui isso. Foi pela minha força de vontade, pelas orientações de minha
Psiquiatra, por querer conhecer mais sobre o mal que me afligia, pelo apoio irrestrito de minha esposa e da
minha família, que tiveram muita paciência para comigo e acreditaram em mim.
Procuro fazer exames periódicos, principalmente na área cardiológica, primeiro
porque as crises se
assemelham a essa área e por outro lado, as crises nos levam a um
constante estresse, que somados a outros, poderia, segundo
pesquisas, acarretar problemas cardíacos futuros.
PERIGO REAL
Um indivíduo passeia tranqüilamente por uma praia gozando suas
merecidas férias. De repente, surge uma situação de perigo real. Um cão feroz
solto à sua frente! Só há duas
opções, correr ou enfrentar o perigo.
Um gatilho aciona o
mecanismo de alerta e de defesa do cérebro e em poucos segundos seu organismo
se transforma. Substâncias químicas são liberadas, os neurotransmissores,
dentre eles, a Serotonina e Noradrenalina.
Suas pupilas se dilatam, o
coração dispara para oxigenar mais seus músculos, sua respiração fica ofegante. Se
ferido, não sentirá dor, pouco sangrará, pois como defesa seu
organismo migrará parte do sangue da superfície para o interior dos grandes
músculos, por isso ficará pálido. Sua
força aumentará, ou para lutar ou correr. Seu raciocínio é rápido e lógico.
Está física e psicologicamente atento para o que está acontecendo. São mente e
corpo sintonizados em um só propósito:
sobrevivência. Passado o perigo, tudo voltará ao normal. Este é o
mecanismo de alerta e de defesa do cérebro para um perigo real.
PERIGO IRREAL
Ao contrário do narrado acima, a
sensação de perigo real não existe. O indivíduo pode estar em uma praia totalmente relaxado e tranqüilo, cercado de amigos e em segurança, em um cinema, jogando futebol,
namorando, se alimentando, dormindo ou
brincando com seus filhos, na mais perfeita harmonia e tranqüilidade, que mesmo assim, o gatilho
do mecanismo de alerta e defesa do
cérebro, que prepara o indivíduo para a fuga ou luta, é indevidamente acionado,
só que agora sem nenhum motivo aparente. Também substâncias químicas, os
neurotransmissores, serão liberadas e em
quantidades não controladas, só que agora seu corpo não está mais sintonizado
com sua mente, ambos estão confusos. A mente não reconhece a situação de perigo
e o corpo desse indivíduo se descontrola por completo pela ação dos sintomas e
como conseqüência disso, as glândulas supra-renais liberam a adrenalina e o
indivíduo desnorteado entra em pânico e o pânico induz a liberação de mais
adrenalina. Ele acha que está morrendo e que está ficando louco. Se estiver
sozinho, o mundo virá abaixo. Se estiver acompanhado, se agarrará a esta pessoa como se fosse sua tábua de
salvação e não se preocupará com o seu comportamento. A saída para o pronto
socorro é rápida e aterrorizante. O indivíduo leva vários minutos para
chegar ao médico, o que parece uma
eternidade. Quando chega, a crise já
está no fim. O médico examina e não encontra nada e dá o diagnóstico: não é nada, é só estresse... Você fica
desapontado, confuso e sem saber o que dizer ou fazer.
Esse episódio acontecerá por diversas vezes e a pessoa não se acostumará com ele. Acreditará que está ficando louco, que
tudo aquilo é fruto de sua mente. É comum ficar desacreditado por seus
familiares e amigos pelas constantes crises, devido aos médicos nada
encontrarem em suas constantes peregrinações aos hospitais. Há casos de
separações conjugais devido à falta total de conhecimento sobre o TP pelo
casal. É o caos total. Mas não se
desespere, não há registros de óbitos relacionados com o TP. Até o momento não
há cura, mas o portador poderá levar até
uma vida normal, basta
querer e seguir as
orientações e recomendações de seu
Psiquiatra.
Freud relatou o TP em sua obra
- A Neurastenia e a Neurose de Angústia - por volta de 1895. Donald
Klein, psiquiatra americano da década de 70, descobriu que certos tipos de
ansiedade respondiam bem a
antidepressivos e deu o nome de Panic Disorder. Conhecida até a década de 80 como neurastenia cardiocirculatória ou drama do coração irritável e, após, como Síndrome do Pânico.
Classificada no início dos anos 90 pela Associação de Psiquiatria Americana
(APA). Em 1993 foi reconhecida pela Organização Mundial de
Saúde. Recentemente, a OMS deu-lhe nova
denominação, a de TRANSTORNO DO PÂNICO.
O mecanismo do TP ainda não foi totalmente esclarecido. Acredita-se que
devido a uma falha no "lócus cerúleos", um centro localizado
no tronco cerebral, na região do sistema nervoso, onde se localizam os controles da respiração
e da freqüência cardíaca, o mecanismo de defesa e alerta do cérebro, que
prepara o indivíduo para a fuga ou luta é acionado por um alarme falso. Isso
ocasionaria uma emissão de neurotransmissores, dentre eles: Noradrenalina,
Serotonina, Dopamina, Endorfina
etc. Não havendo uma situação de real perigo, deixa de haver uma sintonia entre
corpo e mente, desencadeando vários sintomas que levam a pessoa ao pânico, pelo
acréscimo de adrenalina lançado à circulação pelas glândulas supra-renais.
Outra corrente acredita que possa haver uma doença entre os neurônios. Os
neurotransmissores saem do neurônio emissor, atravessam a fenda sináptica e são recebidos pelo neurônio receptor, podendo haver recaptação pelo neurônio de
origem. O neurônio doente não exerceria
a sua função corretamente, provocando uma reação descontrolada em todo o
organismo, originando-se as crises. Há
estudos recentes para determinar o neurônio
doente.
Um Portador do TP poderá
entrar em Pânico motivado por uma situação de real perigo ou de tensão
emocional, sem que isso represente uma crise de TP. Porém, o estresse provocado
por essa crise, poderá funcionar como um
agente indutor de uma próxima crise dentro do quadro do TP. Aconselha-se um bom
exercício de relaxamento após uma situação de real perigo ou de tensão
emocional.
VOCÊ PODE TER O TP, MAS SE VOCÊ QUISER, O
TP NÃO TERÁ VOCÊ.
CLÁSSICOS
Calafrios.
Confusão mental. Despersonalização.
Desconforto abdominal. Distorção da realidade.
Dor ou desconforto no peito. Falta de ar.
Fechamento da garganta. Formigamento.
Medo de morrer.
Medo de enlouquecer ou de cometer ato
descontrolado.
Náuseas.
Ondas de calor. Palidez.
Palpitações ou taquicardia.
Sudorese. Vertigem ou sensação de
desmaio.
OUTROS SINTOMAS
Acordar sobressaltado. Atordoamento.
Boca seca.
Cabeça pesada. Contrações musculares. Extra-sístoles.
Flatulência (formação de gases).
Intestino solto.
Irritabilidade.
Metabolismo acelerado. Pés e mãos gelados. Rubor facial.
Sede constante. Urinar com freqüência. Zumbido no ouvido.
# 50% dos portadores desenvolvem depressão,
90% agorafobia.
# Incidência
de 2 % a 5% na população mundial,
4% na brasileira.
# A proporção é maior na
faixa de idade entre 20 e 35 anos, mas
em menores
proporções, em
qualquer idade.
# Atinge três mulheres para cada homem.
# O TP não é psíquico, é um distúrbio
químico dos neurotransmissores.
# Filhos e irmãos têm 25% de possibilidades
de ter TP.
# O indivíduo urbano está mais propenso do
que o rural.
# Não existe prevalência de raça ou condição
sócio-econômica.
# Responsável pelo afastamento do convívio social e
abandono de emprego.
# Em média, os portadores têm duas crises
por semana, mas há casos de até três ou
mais, com
duração de 5 a 20 minutos, podendo ser superior a esse tempo.
# O TP não invalida os portadores em sua capacidade
intelectual ou profissional.
No início, o
rendimento profissional poderá ser abalado temporariamente devido ao
desenvolvimento de fobias ou crises.
Após um bom tratamento, retornam às suas atividades. São indicados para
atividades que requeiram inteligência, sensibilidade, criatividade e
compromisso.
Dificuldades de se relaxar. Estresse
constante. Herança genética.
Incidência é maior nas mulheres. Perda súbita de suportes sociais.
Perdas abruptas de familiares. Perfeccionismo. Pessoas ansiosas.
Portadores de Prolapso
da Válvula Mitral. Separação dos pais.
Tensão constante.
Geralmente as suspeitas do TP começam nos
prontos-socorros ou clínicas cardiológicas e na maioria das vezes, o
paciente volta para casa com o
diagnóstico de que não é nada, é só estresse. Hoje, isso está mudando com a grande veiculação na
mídia sobre o TP e sua discussão nos Congressos Médicos. Profissionais de
outras áreas médicas, tão logo suspeitam da possibilidade do enquadramento de
um possível portador ao TP, os encaminham à Psiquiatria.
Devido aos sintomas serem comuns a algumas doenças, tais como asma,
diabetes, hipoglicemia, tumores das glândulas supra-renais,
cardiopatias, hipertireoidismo,
hipotireoidismo, tensão pré-menstrual (TPM), labirintite, prolapso
da válvula Mitral, Síndrome social e outras, o diagnóstico tem que ser muito
criterioso e feito por um profissional de sua confiança.
Se você suspeita que poderá
ser um portador do TP, procure um
psiquiatra, ele solicitará exames
clínicos para descartar outras causas.
Em seguida, após avaliação, ele eliminará também as causas psíquicas e dará o
diagnóstico e o tratamento. Uma única crise não caracteriza o TP. Somente a
freqüência e o número de sintomas
poderão ser avaliados como um possível diagnóstico de TP. Crises isoladas podem
ser provocadas por alcoolismo, drogas e estresse.
Tem controle! Até o momento
não se sabe qual o mecanismo inicial que aciona indevidamente o sistema de
alerta e de defesa do cérebro, ocasionando as crises do portador do TP, mas há
conjecturas sobre as causas prováveis.
Segundo foi declarado no Simpósio de
Atualização do Tratamento do Transtorno do Pânico, realizado em 12/08/2000,
promovido pelo ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do
HC-FMUSP, do qual participei, “a cura do Transtorno do Pânico acontece, em
média, após sete anos, em 20% dos casos diagnosticados e tratados, o que
significa que a cura poderá ocorrer antes ou após os sete anos. Estar curado é
estar livre das crises, dos medicamentos, das terapias e dos sintomas isolados.
Os 80% restantes poderão ter o controle desse distúrbio, até que se descubra a cura definitiva, podendo até ficar livre das crises e dos
medicamentos, porém terão que conviver com os sintomas isolados, os
quais poderão ser de baixa intensidade, se mantida a terapia à base de
exercícios de exposição, de relaxamento e de respiração”. A PNL, Programação
Neurolingüística reforça a manutenção
desse controle.
Fui portador do TP por 44 anos, 35 sem
diagnóstico, um ano de tratamento e oito na fase de controle, sem medicamentos
e crises. Nessa fase os medicamentos não são necessários, porém, persistem os sintomas
isolados, controlados com exercícios de respiração diafragmática, relaxamento
autógeno e mudança no estilo de vida. Consegui sair dessa fase de controle.
Estou há mais de quatro anos sem nenhum sintoma isolado do TP. Tenho hoje menos
ansiedade do que uma pessoa que não seja portadora do TP. Consegui isso com reposição natural do
aminoácido triptofano, um precursor natural do neurotransmissor
serotonina.
È importante lembrar que a reposição
natural de triptofano não substitui a medicação receitada. Somente seu médico
poderá diminuir ou suspender a medicação
em uso. A reposição não natural de triptofano, já utilizada por alguns psiquiatras, só deve ser indicada pelo seu médico. Um
organismo equilibrado se auto-regula. O texto abaixo (Serotonina) explica a
ação do triptofano.
A Serotonina é um neurotransmissor
envolvido na transmissão de mensagens entre os neurônios (sinapse). O baixo
nível de Serotonina desencadeia vários distúrbios da área mental, dentre eles,
Depressão, Transtorno do Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizada,
Transtorno Bipolar e Transtorno Fóbico Social (fobia social).
Os antidepressivos
relacionados neste site têm como função normalizar esse nível, porém, geram
sintomas desagradáveis, próprios dos mesmos. Esses sintomas tendem a diminuir e até desaparecem
com o uso contínuo desses medicamentos, porém, devem ser utilizados sob
prescrição médica e nunca devem ser descontinuados sem autorização médica.
Segundo o "teste de Hamilton" - um teste
internacional - uma pessoa com baixa dosagem do aminoácido Triptofano,
um precursor da Serotonina, teria altas pontuações, o que a avaliaria como
possível portadora de "Transtornos de ansiedade e afetivos, ou
ambos".
De acordo com pesquisas
recentes, abrem-se a possibilidade de utilizar o aminoácido
Triptofano como coadjuvante no tratamento desses distúrbios, porém, sem
eliminar ou descontinuar a medicação receitada, fato já seguido por vários
psiquiatras.
Uma boa fonte do aminoácido Triptofano
é a fruta NONI. Originária da Índia, possui registros
datados de mais de seis mil anos, porém, se adaptou melhor em regiões
vulcânicas sem poluição, em especial na Polinésia Francesa, um arquipélago de
118 ilhas situado no Pacífico sul, onde se localiza uma ilha bem conhecida, o
Taiti. Já se encontra nessa região há mais de dois mil anos. É considerada
pelos nativos como uma dádiva divina.
Ao contrário de outras
frutas que só possuem de 5 a 10 nutrientes, o Noni possui 153 nutracêuticos,
nutrientes que interagem no organismo produzindo benefícios, dentre eles, o
aminoácido Triptofano, um precursor da serotonina.
Eu faço uso do suco do noni
e consegui equilibrar o nível de
serotonina em meu organismo. Antes do Noni minha dosagem de Serotonina
no sangue era de 40 nanog/ml. O normal é de 50 a 200 nanog/ml. Com o uso se elevou
para 142,4 nanog/ml.
O exame de sangue
"Serotonina Total" mostra esse nível, porém, o correto seria a
dosagem do "liquor" da coluna, porém, devido aos riscos, o ideal é
fazer o do sangue. Esse exame não mostra com exatidão o nível de Serotonina nos
neurônios, mas serve como parâmetro. Se está em baixa
no sangue, estaria também nos neurônios.
O Suco de Noni não é um
medicamento e nem se propõe substituir um. Somente seu médico poderá suspender
ou diminuir a medicação receitada.
"Um organismo bem nutrido
se auto-regula não deixando espaço para as doenças".
Maiores detalhes sobre o Suco Noni,
visite o site: www.nonibh.com
Preferencialmente, o tratamento do Transtorno do Pânico deverá ser
feito por um Psiquiatra, pois esse
profissional primeiro teve a sua formação acadêmica em medicina, para depois se
especializar em Psiquiatria e, portanto, está capacitado a receitar medicamentos
e aplicar a Psicoterapia. Já o Psicólogo
não poderá receitar medicamentos, mas poderá promover a Psicoterapia.
O tratamento aplicado varia de indivíduo para indivíduo, mas em
geral é a combinação de antidepressivos, ansiolíticos e terapias, incluindo os
exercícios de exposição e de relaxamento. É recomendável também a aplicação da Programação
Neurolingüística PNL, como forma de terapia sustentável.
O Transtorno do Pânico tem sido responsabilizado pelo
desmoronamento de vários lares e o responsável por isso acontecer não é o
portador do TP. A sustentação da família de um portador depende de seus
familiares. É imprescindível o apoio
familiar. O portador do TP precisa sentir
que não está sozinho e que seus familiares acreditam nele. Os familiares precisam adquirir conhecimentos
sobre o TP, para entenderem que a limitação de quem está na fase inicial é total e que
o sofrimento que acomete um portador
na hora da crise, não tem comparação em escala e em qualquer tipo de
doença. É o pavor da morte iminente, que embora não esteja acontecendo e nem
vai acontecer, para ele não é fantasia,
é uma horrível e triste realidade.
Adquirindo o livro do autor dessa página, você levará esse
conhecimento aos seus familiares e amigos e, através dele, será mais fácil lhe
darem apoio e você saberá o que fazer nos momentos de suas crises.
SÓ QUEM PASSA POR UM SOFRIMENTO DE UMA
CRISE DE PÂNICO,
PODE AVALIAR O NÍVEL DE DESESPERO QUE ACOMETE O PORTADOR
NAQUELE MOMENTO.
NÃO SE AUTOMEDIQUE. SOMENTE SEU MÉDICO TEM
CONDIÇÕES DE RECEITAR O MEDICAMENTO QUE MELHOR SE ADAPTE AO SEU ORGANISMO.
Até o momento, ainda não existe um medicamento específico para o
tratamento do TP. Os medicamentos aqui apresentados têm como finalidade,
relatar o que está sendo mais receitado
para o controle do TP, como também as suas classificações e os respectivos
laboratórios. Opções: - os de referência, as variações genéricas e os
similares. O genérico tem a mesma substância utilizada no medicamento de
referência, a mesma dosagem e modo de uso, porém tem uma considerável redução
de preço, mantendo a mesma qualidade. Atualmente todo medicamento genérico só
poderá ser comercializado após aprovação do Ministério da Saúde e deverá
constar a frase:
-"Medicamento genérico de acordo com
a lei nº 9.787/99"
Nota: Os medicamentos genéricos serão
representados, na relação abaixo,
com a letra “G” após o nome comercial.
É COMUM QUE UMA PESSOA PORTADORA DO TP INDIQUE PARA VOCÊ O MEDICAMENTO QUE ELA ESTÁ
USANDO, POIS ELA SE ADAPTOU BEM A ELE, MAS ISSO NÃO QUER DIZER QUE SERÁ BOM
PARA VOCÊ TAMBÉM.
ANTIDEPRESSIVOS
TETRACÍCLICOS
|
SUBSTÂNCIA ATIVA |
LABORATÓRIO |
NOME COMERCIAL |
|
MAPROTILINA |
NOVARTIS |
LUDIOMIL |
ANTIDEPRESSIVOS
TRICÍCLICOS
|
SUBSTÂNCIA ATIVA |
LABORATÓRIO |
NOME COMERCIAL |
|
AMITRIPTILINA |
CRISTÁLIA |
AMYTRIL |
|
AMITRIPTILINA |
BASF GeneRiX |
AMITRIPTILINA |
|
AMITRIPTILINA |
FUNED |
AMITRIPTILINA |
|
AMITRIPTILINA |
NEO QUÍMICA |
AMITRIPTILINA |
|
AMITRIPTILINA CLORDIAZEPÓXIDO |
ICN |
LIMBITROL (ASSOCIAÇÃO) |
|
AMITRIPTILINA |
PRODOME |
TRYPTANOL |
|
CLOMIPRAMINA |
NOVARTIS |
ANAFRANIL |
|
CLOMIPRAMINA |
NOVARTIS |
ANAFRANIL SR |
|
IMIPRAMINA |
CRISTÁLIA |
IMIPRA |
|
IMIPRAMINA |
NOVARTIS |
TOFRANIL |
|
IMIPRAMINA |
NOVARTIS |
TOFRANIL POMOATO |
|
NORTRIPTILINA |
NOVARTIS |
PAMELOR |
|
TIANEPTINA |
SERVIER |
STABLON |
ANTIDEPRESSIVOS
INIBIDORES
DA MONOAMINAOXIDASE
|
SUBSTÂNCIA ATIVA |
LABORATÓRIO |
NOME COMERCIAL |
|
TRANILCIPROMINA |
SMITHKLINE |
PARNATE 1ª GERAÇÃO |
|
TRANILCIPROMINA TRIFLUOPERAZINA |
SMITHKLINE |
STELAPAR 1ª |